quarta-feira, 9 de março de 2011

Dor

Não consigo chorar.
Está preso.
Não consigo falar.
Minha cabeça ferve.
Quero as correntes.
Tragam as correntes.
Quero pertencer a alguém.
Liberdade demais.
Estou com medo.
Pobres podres que me invejam,
Eu injevo o fim dos que cuido.
Talvez seja por isso essa alegria em curar suas feridas,
eu não sei o que fazer das minhas.
Por que ficar na janela despertando sonhos,
se eu não quero sonhá-los mais.
O que resta pra uma princesa em seu calabouço,
quando já sabe que seu principe não vem?
Que amor é esse que tem vergonha de existir?
Você não sendo meu, vive.
Eu não sendo teu, desespero.
Não ha ganhador.
Não somos felizes.
Engordamos como porcos para um natal que não chega.
Você aumenta tua próle.
Eu lamento não ser eu em te dar uma.
Meus sonhos lindos com você,
morrem cada vez que acordo.
CADA   VEZ   QUE   EU   ACORDO...
Meus olhos cristalizaram.
Meus coração endureceu.
Meus pulmões não se expandem mais.
Niguém mais ouve meus gritos,
eles são escritos.
Meu peito dói.
Não quero reagir.
Não quero falar.
Quero sentir isso até o fim.
Quero me afogar em minhas mágoas.
Quero morrer em meu silêncio.
Quero queimar em meu inferno.
Quero viver um fim sem ponto final

por Igor Rolim