segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Iguais


Um orixá e eu, humano.
Não somos diferentes
Vivemos a sombra de um amor
Ele não nos pertence
Queremos um sonho que não é nosso
Você confiou no inimigo
Eu não tenho em quem confiar
Você capaz de se fazer rio
Eu deito e me finjo de morto
Você mata a cede e eu dou de comer
Ele bebe e come de nossas mãos
Mas não nos percebe
É guerreiro
É forte
É vermelho
Na nossa presença não é mais que um menino
Com fome e com cede por nosso sexo
Quando você parte para a batalha
Eu sinto o cheiro de morte
Você se mutila
Eu me anulo
Quem nos vê
Não nos enxerga
Não vislumbram a fragilidade
Só acham a truculência
Você minha irmã e mãe
Eu teu filho e pai
É Obá, nós não somos diferentes
Oxum te enganou
Eu tento enganar a sorte
Xango não é seu e nem meu
E juntos, estamos sozinhos
Uma de suas mãos esconde um segredo
E a outra carrega uma adaga
E a pergunta fica:
Sua mão no ouvido é para esconder a cicatriz
Ou é pra não ouvir suas vitimas?
Não importa...
Eu fecho meus olhos pelos mesmos motivos.
Iguais.


Igor Rolim


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